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[Domingo, Julho 22, 2007]
Ao falarmos em flores, vêm logo à nossa mente aquelas belas,
vistosas, divinas rubras rosas.
Encarnadas e com um viço tão singelo que lembra-nos
o sangue pulsante em nosso coração.
Vermelho, a cor da paixão. Mas para ele era vã e tola tal definição.
Seu jardim sempre fora azul, banhado por um enérgico
colorido céu. Suas idéias eram belas,
mas quem as aceitaria? Eram hilárias suas rosas azuis num
mundo onde, para elas, havia uma só cor. Será que seríamos
obrigados a enxergá-la, unicamente, para todo o sempre?
Reprimido e triste, cresceu o garoto das rosas azuis.
Cultivando flores de papel, buscava refúgio
para suas angústias. Queria mudar: para ele surgiram
terras ainda maiores que a insignificante
dimensão de seu jardim. Havia cidades, Estados, países
coagindo aqueles como ele. Havia o poder, dilacerando sua plantação.
Diante de tal situação, o jovem que outrora se preocupava
com as cores de seus desenhos, passou
a se preocupar com as nuances do mundo. A ele, bradou
seus anseios, lutou para torná-lo mais colorido – e que houvesse, enfim,
liberdade de opinião -. Suas idéias eram um ultraje perante os
poderosos jardineiros: um mundo de rosas azuis, não!
Em toda a produção, não havia esta coloração.
Calaria-se, então, o garoto das rosas azuis. Tingiria-se
seu jardim de vermelho. Era o fim. Não se ouvia
mais a voz daquele que ousara mudar os tons do mundo.
Mas via-se, sim, uma rosa azul desabrochar,
timidamente, em muitos jardins.
Vânia
